Como identificar e interromper mentiras contra pessoas trans nas eleições
Cartilha lançada pela Transmídia reúne orientações práticas para enfrentar a desinformação dirigida à população trans
Por Amanda Stabile
28|01|2026
Alterado em 28|01|2026
Lançada em novembro de 2025, a cartilha Trilhas de Combate à Desinformação nas Eleições para Pessoas Trans nasceu como um convite ao cuidado: com a informação que circula, com as pessoas ao redor e com as próprias existências trans. Produzida pela Transmídia e voltada para pessoas trans, comunicadores, coletivos e qualquer pessoa interessada em fortalecer a informação segura nas eleições, a publicação reúne orientações práticas para reconhecer mentiras, interromper sua circulação e fortalecer uma comunicação feita com responsabilidade e afeto.
O material foi construído a partir das coberturas das eleições municipais de 2024, no âmbito do projeto Diversidade nas Redações, realizado em parceria com a Associação Énois. No acompanhamento cotidiano do processo eleitoral, a Transmídia identificou como a desinformação direcionada à população trans funciona como uma forma de violência digital, ao espalhar medo, reforçar estigmas e influenciar decisões políticas que atravessam diretamente a vida das pessoas.
Ao longo da cartilha, comunicar aparece como um ato político, mas também como um gesto cotidiano de responsabilidade. “Toda pessoa que comunica, seja em um post, story, conversa ou microfone, ocupa o lugar de quem constrói realidades. Em tempos de desinformação, comunicar é exercer poder”, afirma a publicação.
Por isso, antes de apertar “compartilhar”, o material convida a pausar, respirar e fazer algumas verificações simples:
A informação tem autoria, veículo ou fonte claramente identificados?
O conteúdo traz data de publicação e não está fora de contexto?
A mesma informação aparece em outros veículos ou fontes confiáveis?
Imagens e vídeos indicam local, data e contexto, ou já foram verificados por busca reversa?
Áudios apresentam identificação de quem fala e citam fontes verificáveis?
O conteúdo não depende apenas de provocar medo, raiva ou urgência para convencer?
Quando essas verificações não são possíveis, a orientação é direta: “primeiro, não repasse”. Interromper a circulação da mentira é parte do enfrentamento. A cartilha lembra que a desinformação “chega leve, rápida e convincente”, mas é projetada para capturar emoções e se espalhar pela repetição.
Mas o enfrentamento não termina aí. A cartilha reforça que é preciso agir para interromper o alcance da mentira: “segundo, denuncie nas plataformas”. A denúncia ajuda a reduzir a circulação de conteúdos falsos e a responsabilizar redes e perfis que se beneficiam da desinformação.
A publicação também incentiva o diálogo empático com quem compartilhou a informação. Conversar com calma, explicar o contexto e indicar fontes confiáveis costuma ser mais eficaz do que o confronto direto. “O enfrentamento começa no diálogo e na escuta”, destaca.
A cartilha lembra que combater a desinformação não é apenas desmentir. É ocupar o vazio deixado pela mentira com narrativas verdadeiras, humanas e comprometidas com a dignidade das vidas trans. Compartilhar histórias reais, dados confiáveis e informações seguras é parte desse processo.